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ONG constrói casas emergenciais para famílias necessitadas

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image Casa sendo construída pelos voluntários

Graças a organização Um Teto para meu País, jovens constroem casas para famílias que vivem em situação de pobreza extrema

 

Presente em 19 países da América Latina, incluindo o Brasil, a ONG Um Teto para meu País tem uma única missão: melhorar a qualidade de vida de famílias que vivem em situação de miséria, por meio da construção de casas emergenciais.

Engenheiros, arquitetos, que nada! Quem coloca a mão na massa são os jovens voluntários da ONG, geralmente universitários, com muita vontade de ajudar o próximo.

No Brasil, só neste ano, foram construídas mais de 500 casas, em 14 municípios de São Paulo, como Guarulhos, Osasco, São Paulo, Suzano, Santo André e Carapicuíba. Só aqui, a ONG já conta com nove mil voluntários.

O projeto está em fase de ampliação: "Em toda a América Latina, já foram construídas mais de 80 mil casas, com mais de 400 mil voluntários. Aqui, estamos começando. Devemos crescer muito neste ano. Pretendemos abrir escritórios no Rio de Janeiro e no Nordeste", avisa Luciano Coelho, diretor comercial da Organização no Brasil. Confira entrevista exclusiva com ele:

Qual é a sua função na ONG?

Sou o diretor comercial da ONG no Brasil, responsável pela área de comunicação, captação de recursos, área jurídica, administrativa. Mas estamos presentes em 19 países da America Latina, temos 47 escritórios. Aqui estamos começando.

Como é o trabalho da ONG de moradia emergencial feita pelos jovens?

Fazemos a detecção dessas famílias, que estão morando nos lugares mais precários das cidades, das favelas, em situação de extrema pobreza e risco. Aí, propomos fazer a construção de uma casa para elas.

Mas as famílias devem participar da construção. Não fazemos para eles e, sim, com eles. Eles participam construindo a casa com a gente. A casa custa cerca de R$ 3.300, mas eles pagam apenas R$ 150. Nós levamos alimentos e eles comem durante a construção, com os voluntários.

E como é essa casa emergencial? Qualquer pessoa pode ajudar a construir?

A casa tem 18 metros quadrados e é de madeira pré-fabricada. Ela não tem divisões, móveis, banheiros. É uma moradia de emergência mesmo, mas é melhor do que a que as famílias tinham, que costuma ser de papelão.  Montamos tudo em apenas dois dias, pois ela é pré-fabricada. Depois, cada família faz suas adaptações, banheiro, as divisórias.

De que comunidades carentes estamos falando?

Falamos de comunidades em que os brasileiros não estão acostumados a ver. Não é Rocinha e Morro do Alemão. Trabalhamos com comunidades muito mais precárias do que essas.

Comunidades em que não têm nem tráfico de drogas, porque não há a mínima movimentação de dinheiro. Aqui em São Paulo, já construímos em Osasco, Carapicuípa, em Morão e Tonato, que ficam a menos de 50 m de um dos condomínios mais chiques da Granja Viana.

Quem são esses jovens voluntários? Como se inscrever no programa?

O foco do nosso trabalho é a mobilização de jovens para a construção dessas casas. Nós compramos o material e os voluntários constroem as casas. Acreditamos que os jovens são as pessoas que estão mais disponíveis para mudar o mundo e ajudar. Dizem muito que os jovens não têm educação politica. A gente discorda totalmente disso. Eles têm, sim, uma opinião politica e querem ajudar o país. Mostram o descontentamento através do próprio trabalho. Não há convênio com as universidades. Mas estamos sempre em contato com várias, como USP, Mackenzie, PUC e outras. Lá, fazemos campanhas e divulgamos o nosso site, onde tem um campo para serem voluntários.  Após se inscreverem, as pessoas recebem convite das próximas ações e construções. Para participar da construção, precisam pagar R$ 25 reais. Com esse dinheiro, pagamos o transporte dos voluntários, uniforme, material da casa e o que der.

Quantos jovens são necessários para construir uma casa em dois dias?

De 8 a 10 pessoas. Mas sempre duas das pessoas são mais experientes, são os líderes, que orientarão os outros jovens.

Não precisa ter força física, todo mundo pode se inscrever. Isso faz parte do nosso projeto, não precisa ser engenheiro, arquiteto, basta querer trabalhar em equipe. Existe esforço físico, sim, mas você não se deixa de construir por causa de falta de força física.

A família precisa se inscrever para ganhar a casa?

A gente detecta as comunidades com a aplicação de enquetes nas comunidades. São questionários com várias perguntas, que pontuam as famílias e as colocam em um grau de urgência. Perguntamos sobre renda, quantas pessoas têm na família, se estão grávidas, quantas crianças. Com isso, definimos prioridades. Estamos desde 2006 no Brasil, apenas na Grande SP. Até agora, fizemos 939 casas. Mas esse ano crescemos muito. Atribuo o crescimento a um trabalho iniciado no começo do ano, em que profissionalizamos a ONG e mudamos o estilo de trabalho e a forma como nos comportávamos dentro do escritório. Então, começamos a planejar mais nossas ações em relação aos parceiros, às famílias e à divulgação.

Como é a sensação de construir uma casa e entregá-la à família?

Eu tive um caminho muito diferente das outras pessoas. Entrei em 2010 na ONG. Eu trabalhava em uma multinacional de hotéis em SP e tinha vontade de fazer algo para ajudar diretamente o próximo.

Entrei como diretor no fim de 2010. Eles queriam alguém de fora, que tivesse uma relação mais profissional do que sentimental pelo Projeto. Já participei das construções. Quando construo, me lembro porque eu estou aqui. É uma experiência única. Nela, conhecemos a família, entendemos como é o dia a dia dela. Isso faz com que a gente se esqueça de tudo que temos para fazer e todos os problemas. É uma experiência transformadora. Saímos completamente motivados a participar de mais coisas.

Como as casas podem mudar tanto a vida de uma família?

Este fim de ano, eu reencontrei uma das famílias em que construí a casa. Eles que me reconheceram. Estão superbem, a casa está ótima, compraram móveis e armários. A casa muda a vida e o entendimento da família em relação à situação delas. Eles me falaram que a vida dos filhos está completamente mudada. Fora a qualidade de vida que ganham. Olha só, hoje, eles não têm mais rato dentro de casa! É pouco, mas faz a felicidade deles e a nossa.

 

 

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