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Tormento

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Já é tempo de aprender, de construir e reconstruir, pois que do céu um novo mar emerge e cai, desaba...

Deslizamentos...
Desabamentos...
Desmoronamentos...
Soterramentos...
Alagamentos...
Tormento... Em toda parte...

Na Ilha Grande, lamentos... Na enseada, sonhos pelo mar a flutuar inertes, impotentes. Na terra, sonhos por entre escombros... Pois que do céu um novo mar emergiu e caiu, desabou.

Grande festa seria, fogo no céu a celebrar... Grande engano, foi para anunciar a dor... E que passou do tempo de aprender, de construir e reconstruir...
Paixões a rolar com a terra encharcada, com o vento uivante, gritante, berrante... Desceu o limo sorrateiro e zombeteiro e no meio, sonhos... E paixões como a deslizar pelas águas do mar que desabou do céu.
Do outro lado do mundo neve que não mais encanta, frio que paralisa e desengana...

Dor desmedida em Paraitinga, a avidez do Rio Jacuí, o chacoalhar impiedoso da terra no Haiti e em muitos, muitos outros lugares...
Escombros, escombros. Escombros e sonhos...
Sonhos interrompidos, partidos e que partiram...

Encharcados...
Enlameados...
Afogados...
Sufocados
Despedaçados...
Congelados...

Pelos quatro cantos um canto, em uníssono lamurioso de dor... E no ar o eco de sirenes a atordoar os ouvidos e a disparar o coração de quem espera impotente, última esperança de quem precisa ou agoniza... De quem acredita... De quem ama...

É tempo de aprender, de construção e reconstrução...
Se fechares os olhos por um único instante é bem provável que sintas o choro não mais contido, o pavor enlouquecido, a dor lancinante, a entrega protestada e também a resignada, a perspectiva partida...

Transgredida...
Sofrida...
Vazia...

Porque os braços abertos são os da...  Indefinição...
E também os da construção, da reconstrução...
Porque o mar não para de desabar do céu... E mar quando desaba do céu é mau agouro... O presságio de que já é tarde, pois a Terra arde.
A Terra está cheia, cheia de tudo, farta de lixo, de luxo, de entulho...
E quem ficou apenas vagueia por entre sujeira e corpos, pelos restos dos mares que preenchem agora os lares, os bairros, as ruas; água imunda e fétida que continua a arrastar mais sonhos para o começo do fim.

Quem ficou... Desabrigado de tudo, de si mesmo.  O olhar tem agora um brilho estranho, opaco, suspenso, desesperado... Para o nada.

Quem ficou... Sobrevivente, mas mais sobrevivente de si mesmo e do descaso, mas não do acaso. Nada é por acaso!

Quem ficou... Marcas que perdurarão a eternidade, posto que enlaçam à alma...

Quem ficou... Doença, sem tempo para convalescença...
Quem ficou... Saudade...
Uma louca e inaudita tristeza paira no ar do mundo inteiro, porque tudo acontece nesse momento ao mesmo tempo nos cantos do mundo e toda humanidade aspira agora um gosto rascante...

Sufocante...
Nauseante...

Porque junto à tragédia do desfecho traz à consciência da alma a exata noção dos excessos e dos extremos...

Excessos e extremos capazes de emergir a fome, a guerra, a exclusão, as desgraças, capazes de fazer o mar desabar do céu... E sonhos a flutuarem inertes nos vários mares da terra, a mesma terra que os desliza impotentes pela voracidade demente não da natureza... Voracidade demente dos excessos e extremos cometidos...

Sentidos...
Investidos...
Desmedidos...
Inauditamente...
Lamentavelmente, pelos próprios sonhos...

A clara certeza lá na origem das idéias e bem no meio do coração, de que de fato, somos culpados... E que temos uma escolha a fazer... Somente uma: a da construção e reconstrução!

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Maria de lourdes ativo 04/02/2010 20:42:51
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É preciso salientar que nem rico e nem pobre, nem bonito ou feio escapa os desígnio do Pai, que vê não apenas as necessidades individuais, mas as necessidades do homem essencial,e do planeta que habitamos,na tentativa de despertá-los para os sentimento fraterno, corrigindo, o que foi obviamente manipulado. E nós, que apesar das intempérie, continuamos vivos, devemos refletir os nossos valores,e procurarmos levar alegria, entusiasmo,e esperança.Fazê-los acreditar na justiça divina, mesmo aqueles que sofreram tanto com as últimas tragédias. Mostrando que dias melhores virão.
Patrícia parabéns continuo achando que você tem jeito mesmo para a coisa enfim é muito talentosa. beijos
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Otavio ativo 03/02/2010 00:38:19
avatar
Só os poetas conseguem fazer com que fatos negativos que marcam a humanidade sejan colocados de forma construtiva. Que apesar de nossos erros tudo é aprendizado... recomeço.
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